Homem confessa feminicídio de adolescente de 14 anos em Encantado
Um homem de 40 anos confessou à Polícia Civil ter matado a adolescente Alice Nitz, de 14 anos, em Encantado. O crime ocorreu na tarde de segunda-feira, 17, no bairro Jardim do Trabalhador. O suspeito, identificado como Wagno Henika, prestou depoimento na quarta-feira, 19, e admitiu ter sido responsável pela morte da menina, que era sua ex-enteada.
A partir das declarações do investigado, a Polícia Civil passou a trabalhar oficialmente com a hipótese de feminicídio e descartou, neste momento, a possibilidade de vicaricídio — situação em que filhos são mortos com a intenção de provocar sofrimento ou vingança contra a mãe.
Segundo a delegada responsável pelo caso, Dieli Caumo, não foram identificados elementos que indiquem que o crime tenha sido cometido para atingir a ex-companheira de Henika. Os dois haviam encerrado um relacionamento afetivo cerca de um mês antes, mas, conforme os relatos reunidos pela investigação, mantinham uma relação sem conflitos registrados.
Conflito entre ex-padrasto e adolescente
Conforme a Polícia Civil, o depoimento apontou que o episódio teve origem em um desentendimento entre o investigado e a adolescente. A relação familiar existente entre os dois, na condição de ex-padrasto e enteada, é um dos elementos considerados para o enquadramento do caso como feminicídio.
A investigação trabalha, até o momento, com a possibilidade de que o crime tenha ocorrido após um conflito considerado de pouca relevância. A polícia também informou que, com os elementos disponíveis até agora, não há indicativos de que a adolescente tenha sido vítima de abuso sexual ou de uma tentativa desse tipo de violência. A conclusão dependerá dos resultados dos exames periciais.
Suspeito ficou escondido após o crime
O homicídio aconteceu na residência do irmão de Henika, no bairro Jardim do Trabalhador. Após atingir a adolescente com golpes de faca, o homem teria procurado o proprietário do imóvel e relatado o que havia feito. Segundo a investigação, ele afirmou ter cometido um erro grave e mencionou a possibilidade de tirar a própria vida ou se entregar às autoridades.
Depois disso, o suspeito deixou o local e permaneceu escondido em uma área de mata durante algumas horas.
Henika acabou localizado por policiais na noite de terça-feira, 18, quando teria retornado ou permanecido nas proximidades da residência onde ocorreu o crime. Conforme a polícia, ele tentou fugir durante a abordagem, mas foi capturado e encaminhado para atendimento médico.
Na manhã seguinte, quarta-feira, 19, o homem foi ouvido formalmente pela Polícia Civil e confessou a autoria do homicídio.
Investigação continua
Apesar da confissão, a Polícia Civil mantém a investigação para esclarecer todas as circunstâncias da morte. Os exames periciais serão importantes para complementar as informações obtidas durante os depoimentos e verificar a dinâmica do crime.
O caso segue sendo tratado como feminicídio, e a polícia continuará reunindo elementos para concluir o inquérito e encaminhar o procedimento ao Ministério Público e ao Judiciário.
Foto: Jornal Força do Vale / Reprodução

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