Uso de redes sociais pode afetar percepção da saúde mental entre idosos, aponta estudo
O uso frequente de redes sociais pode estar relacionado a uma percepção menos positiva da saúde mental entre pessoas com 55 anos ou mais. A conclusão é de um estudo internacional que analisou informações de mais de 13 mil idosos e identificou que usuários dessas plataformas tendem a avaliar seu bem-estar psicológico de forma mais negativa do que aqueles que não utilizam redes sociais.
A pesquisa, desenvolvida a partir da Pesquisa Canadense de Uso da Internet de 2022 e publicada na revista científica PLOS Global Public Health, envolveu 13.536 participantes. Entre eles, 59,6% classificaram sua saúde mental como "muito boa" ou "excelente", enquanto apenas 1,7% relataram uma condição considerada ruim. Ainda assim, a análise revelou uma associação entre o uso das plataformas digitais e uma percepção menos favorável da própria saúde emocional.
Especialistas apontam que diferentes fatores podem contribuir para esse cenário. A psicóloga Kamila Vilela explica que a comparação constante com a vida de outras pessoas e a exposição contínua a conteúdos negativos podem favorecer sentimentos de ansiedade, solidão e insatisfação.
Outro aspecto destacado é o impacto do uso excessivo das redes na convivência social. Segundo a psicóloga e especialista em gerontologia Cecília Galetti, o tempo prolongado diante das telas pode reduzir a participação em atividades presenciais, afastando idosos de familiares, amigos e outras experiências importantes para o equilíbrio emocional.
Além dos reflexos psicológicos, profissionais alertam para possíveis consequências físicas. A geriatra Daniela Barbieri ressalta que o excesso de tempo conectado também pode favorecer o sedentarismo, comprometer a qualidade do sono e provocar fadiga visual, reforçando que a tecnologia deve complementar, e não substituir, hábitos saudáveis e o contato humano.
O levantamento mostra ainda que os aplicativos de mensagens instantâneas são os recursos digitais mais utilizados pelos idosos, presentes na rotina de 59,6% dos entrevistados. As redes sociais aparecem em seguida, utilizadas por 52,3% dos participantes, enquanto 44,4% afirmaram fazer chamadas de voz ou vídeo pela internet.
Apesar dos resultados, os próprios pesquisadores destacam que o estudo não comprova uma relação direta de causa e efeito. A pesquisa identifica apenas uma associação estatística entre o uso das redes sociais e a percepção da saúde mental, sendo necessários novos estudos para compreender melhor essa relação.
Especialistas recomendam algumas medidas para reduzir possíveis impactos negativos, como estabelecer limites de tempo para o uso das plataformas, priorizar atividades presenciais, praticar exercícios físicos, cultivar hobbies e selecionar conteúdos que promovam informação, aprendizado e bem-estar. Segundo eles, o equilíbrio entre a vida digital e as relações fora das telas continua sendo um dos principais fatores para preservar a saúde mental em qualquer idade.
Foto: Reprodução

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