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Menos gaúchos pediram demissão no início de 2026, aponta levantamento


Queda foi de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, mas desligamentos voluntários seguem liderando as saídas do mercado formal

O número de trabalhadores que decidiram deixar seus empregos por iniciativa própria diminuiu no Rio Grande do Sul nos primeiros três meses de 2026. Entre janeiro e março, 173.166 pessoas solicitaram desligamento de seus postos de trabalho, resultado que representa uma redução de 8% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os dados constam em estudo elaborado pela Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), com base nas informações do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Apesar da retração observada neste ano, os pedidos de demissão continuam sendo a principal forma de desligamento registrada no mercado formal gaúcho. No primeiro trimestre de 2026, essa modalidade respondeu por 42% de todas as saídas de trabalhadores com carteira assinada. Em 2025, a participação era ainda maior, chegando a 45%.

O levantamento mostra que outras modalidades de desligamento tiveram comportamentos distintos. As demissões por justa causa apresentaram crescimento de 18% no período analisado, enquanto os desligamentos sem justa causa permaneceram em patamar semelhante ao registrado no ano passado.

Para a Secretaria Estadual de Trabalho e Desenvolvimento Profissional, os números indicam que o mercado segue em transformação. Segundo o secretário José Scorsatto, quando um trabalhador opta por deixar o emprego espontaneamente, isso pode refletir a busca por novas oportunidades profissionais, ingresso em atividades empreendedoras ou até mudanças na forma de inserção no mercado de trabalho.

A pesquisa também traça o perfil de quem mais pede desligamento. Os jovens aparecem com maior participação nos números estaduais. Trabalhadores entre 18 e 24 anos representam quase um terço dos pedidos, enquanto a faixa entre 25 e 29 anos responde por 18% do total.

Em relação ao nível de escolaridade, os índices mais elevados são observados entre profissionais com Ensino Médio completo e Ensino Superior. Já entre os setores da economia, o segmento de serviços concentra a maior parte dos desligamentos voluntários, com 38%, seguido pela indústria, responsável por 23%.

Especialistas apontam que a forte presença dos pedidos de demissão nos últimos anos esteve relacionada ao maior poder de negociação dos trabalhadores. A redução verificada em 2026 pode indicar um cenário de maior estabilidade nas relações de trabalho ou mudanças no comportamento dos profissionais diante das condições econômicas atuais.

Foto: Reprodução

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