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Leilão de rodovias avança apesar de protestos e amplia pressão sobre governo do Estado


Manifestação em Porto Alegre marca nova etapa da mobilização contrária à concessão do Bloco 2

Mesmo diante da resistência de lideranças regionais, entidades e movimentos organizados, o governo do Rio Grande do Sul mantém o cronograma para conceder à iniciativa privada um conjunto de rodovias estratégicas localizadas no Vale do Taquari e no Norte do Estado. O leilão do chamado Bloco 2 está confirmado para o dia 10 de junho, quando será definida a empresa ou consórcio responsável pela administração de 409 quilômetros de estradas estaduais.

A proposta, conduzida pela Secretaria da Reconstrução Gaúcha, entra agora em sua fase decisiva. Antes da disputa na bolsa de valores B3, em São Paulo, está prevista para a quarta-feira, 3 de junho, a entrega das propostas pelas empresas interessadas em assumir a concessão.

Enquanto o processo avança, cresce também a mobilização contrária ao projeto. Nesta terça-feira, 2 de junho, moradores, lideranças políticas, representantes de entidades e integrantes de movimentos regionais realizam um ato em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre. A manifestação busca pressionar o governo estadual a rever aspectos da concessão, especialmente a instalação de novos pórticos de cobrança automática e os impactos econômicos para usuários e setores produtivos.

O tema tem se transformado em mais um ponto de desgaste para a gestão do governador Eduardo Leite e do vice-governador Gabriel Souza. Desde a apresentação da proposta, críticas vêm sendo direcionadas à modelagem do projeto, principalmente em municípios que serão diretamente afetados pelas futuras cobranças.

Mudanças não encerraram as críticas

Após questionamentos de órgãos de controle e manifestações da sociedade civil, o governo promoveu ajustes na proposta. Entre as alterações está a redução da tarifa quilométrica prevista, que passou de R$ 0,19 para R$ 0,18 por quilômetro rodado.

Apesar da mudança, foi mantida a estrutura de cobrança por meio do sistema free flow, modelo que dispensa praças físicas de pedágio e realiza a tarifação eletrônica dos veículos. A permanência dos pórticos continua sendo um dos principais alvos de contestação por parte de moradores e lideranças regionais.

O governo sustenta que as adequações realizadas atenderam às observações técnicas formuladas durante a análise do projeto e afirma que não houve apontamentos de irregularidades na proposta.

Investimentos prometidos

O Bloco 2 reúne trechos de seis rodovias estaduais que atravessam 32 municípios e concentram importante atividade econômica ligada à indústria, ao agronegócio e à logística regional.

Segundo o Estado, a concessão prevê investimentos estimados em R$ 6 bilhões ao longo do contrato, incluindo aportes públicos e privados. Entre as obras previstas estão ampliações de capacidade, duplicações, implantação de terceiras faixas, construção de acostamentos e melhorias voltadas à segurança viária.

A expectativa oficial é que a assinatura do contrato ocorra no segundo semestre, após a conclusão do processo licitatório.

Debate permanece aberto

Embora o governo defenda a concessão como alternativa para acelerar investimentos em infraestrutura, o tema segue dividindo opiniões nas regiões abrangidas pelo projeto. Enquanto parte das lideranças reconhece a necessidade de melhorias nas rodovias, também há preocupação quanto ao custo que poderá recair sobre motoristas, trabalhadores e empresas que utilizam diariamente os trechos incluídos no bloco.

Foto: Divulgação

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