Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após avanço de investigação da Polícia Federal
Senador afirma ser inocente e diz que decisão busca evitar desgaste político ao governo Lula
O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou na quarta-feira, 24, sua saída da liderança do governo no Senado Federal. A decisão ocorreu após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, em meio ao aumento da pressão política causada por investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Segundo informações de bastidores, Wagner comunicou ao presidente que optou por deixar a função para evitar que a crise impacte o governo e o projeto de reeleição de Lula em 2026. O parlamentar também reafirmou que não praticou qualquer irregularidade e negou ter atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master.
A situação ganhou repercussão após o senador passar a ser investigado na nona fase da Operação Compliance Zero. A apuração busca esclarecer uma suposta relação entre o parlamentar e empresários vinculados à instituição financeira.
Entre os elementos analisados pela Polícia Federal está a aquisição de um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, realizada pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. Os investigadores também examinam transferências que somam R$ 3,5 milhões destinadas a uma empresa ligada a familiares do senador.
Outro ponto incluído na investigação envolve a compra de ingressos para um show da cantora Taylor Swift, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Conforme os autos, a operação teria custado R$ 63,3 mil e sido intermediada por uma empresa com relações comerciais com o Banco Master.
Durante o cumprimento de mandados judiciais, agentes federais localizaram no apartamento de Wagner US$ 55 mil, 33 mil euros em espécie e 13 relógios. A divulgação das apreensões provocou repercussão nos meios políticos e gerou preocupação entre integrantes do governo federal.
Em sua defesa, o senador sustenta que todos os valores possuem origem lícita e foram declarados às autoridades competentes. Segundo ele, parte dos recursos corresponde a valores recebidos durante missões oficiais ao exterior e mantidos em espécie após a utilização de cartões de crédito nas viagens.
Sobre o imóvel investigado, Wagner afirma que solicitou a compra temporária por parte do empresário devido a dificuldades relacionadas à negociação durante a fase de construção do empreendimento. De acordo com sua versão, a intenção era que o imóvel fosse posteriormente adquirido por sua família.
A Polícia Federal segue analisando os elementos reunidos na investigação, enquanto o senador permanece negando qualquer prática irregular. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre os fatos apurados.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

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