Governo do RS intensifica alerta para possível El Niño forte e prepara ações preventivas
O governo do Rio Grande do Sul realizou, na quarta-feira, 20, uma reunião com a Defesa Civil Estadual para atualizar os prognósticos climáticos e discutir medidas preventivas diante da possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses.
Segundo os dados apresentados durante o encontro, há elevada probabilidade de o Oceano Pacífico atingir temperaturas entre 1,5°C e 2°C acima da média até o início da primavera, em setembro. Caso a projeção se confirme, o fenômeno poderá ter intensidade semelhante ao registrado entre 2015 e 2016, período marcado por eventos climáticos extremos em diversas regiões do país.
Durante a reunião, o governador Eduardo Leite determinou a antecipação de ações integradas entre o Estado e municípios considerados mais vulneráveis a ocorrências meteorológicas severas. A intenção é reforçar a preparação das cidades antes do período de maior instabilidade.
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, destacou que ainda não é possível prever com precisão os impactos do fenômeno, mas afirmou que o monitoramento antecipado será fundamental para minimizar possíveis danos.
De acordo com o governo estadual, o Rio Grande do Sul ampliou sua estrutura de resposta e prevenção nos últimos anos, com investimentos em tecnologia, equipes técnicas e sistemas de monitoramento climático.
A meteorologista da Defesa Civil, Cátia Valente, explicou que o aquecimento do Oceano Pacífico vem ocorrendo de forma acelerada. Conforme os dados apresentados, a temperatura das águas passou de -0,4°C no fim do ano passado para 0,5°C neste mês, cenário que já indica o início da formação do El Niño.
Ela também alertou para o aquecimento anormal do Oceano Atlântico, fator que pode contribuir para a formação de frentes frias mais intensas e ciclones extratropicais no segundo semestre.
Apesar do cenário de atenção, a especialista ressaltou que o fenômeno, isoladamente, não permite prever eventos extremos específicos com tanta antecedência, já que fatores como bloqueios atmosféricos e frentes estacionárias também influenciam diretamente nas condições climáticas.
Como parte das ações preventivas, o governo pretende iniciar nas próximas semanas um processo de Governança Integrada de Proteção com aproximadamente 60 municípios considerados de maior risco, levando em conta histórico de enchentes, deslizamentos e vulnerabilidades apontadas por estudos meteorológicos, hidrológicos e geológicos.
A primeira etapa prevê reuniões técnicas com prefeitos e equipes municipais para alinhamento de protocolos de emergência e atualização dos planos de contingência. Na sequência, deverão ocorrer seminários regionais com participação do governador e representantes da Defesa Civil.
O Estado reforçou que seguirá monitorando permanentemente a evolução das condições climáticas ao longo dos próximos meses, mantendo em alerta toda a rede de prevenção e resposta.
Foto: Maurício Tonetto / Divulgação

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