Estudos indicam que vacinas podem reduzir o risco de demência em adultos e idosos
Pesquisas recentes têm apontado que a imunização, além de prevenir infecções graves, pode estar associada à redução do risco de desenvolvimento de demência em longo prazo. Estudos conduzidos em diferentes países indicam que vacinas comuns, como as contra gripe, herpes-zóster, vírus sincicial respiratório (VSR) e dTpa, podem ter efeito protetor adicional sobre a saúde cognitiva, especialmente entre pessoas idosas.
De acordo com o médico Avram Bukhbinder, do Massachusetts General Hospital, em Boston, os resultados sugerem que as vacinas “protegem não apenas contra doenças infecciosas, mas também parecem oferecer um benefício adicional à função cerebral”. Em uma pesquisa publicada em 2022, o grupo coordenado por Bukhbinder analisou dados de mais de 1,8 milhão de idosos e observou que aqueles vacinados contra a gripe apresentaram 40% menos probabilidade de desenvolver Alzheimer nos quatro anos seguintes. Outro estudo, de 2024, com mais de 70 mil participantes, apontou redução de 17% no risco geral de demência.
Entre as vacinas com resultados mais consistentes está a do herpes-zóster. Um levantamento realizado em 2025 com mais de 280 mil pessoas no País de Gales mostrou que o imunizante esteve associado a uma redução de 20% no risco de demência ao longo de sete anos. Pesquisas semelhantes conduzidas na Austrália reforçaram a relação entre a vacinação e a menor incidência da doença. O professor Pascal Geldsetzer, da Universidade Stanford, um dos autores do estudo, ressalta que “os benefícios podem ir além da proteção contra o vírus, reforçando a importância da imunização”.
A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) também tem mostrado resultados promissores. Um estudo que acompanhou mais de 430 mil pessoas observou redução significativa do risco de demência em um período de 18 meses entre os vacinados. Já a vacina dTpa — que protege contra tétano, difteria e coqueluche — apresentou resultados semelhantes em análises realizadas com mais de 200 mil pacientes, especialmente quando aplicada em conjunto com a vacina contra o herpes-zóster.
No Brasil, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Imunizações reforçam as recomendações para manter as vacinas em dia, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. Embora as pesquisas ainda estejam em andamento, especialistas destacam que a imunização regular segue sendo uma das formas mais eficazes de prevenção de doenças — e, possivelmente, de proteção da memória e da saúde cerebral ao longo do envelhecimento.
Foto: Reprodução
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